quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Capítulo 36 – Última parte
- Alô? Atende sem tirar os olhos de Tânia.
Ela escuta em silêncio e desliga com os olhos marejados. Tânia tira os óculos escuros e se põe em frente dela.
- O que aconteceu? Pergunta temerosa.
- Ele morreu.
O silêncio é quebrado pelo barulho dos carros, das pessoas que corriam na passarela, das ondas pequenas que quebravam na costa... Tudo estava em câmera lenta, o mundo parecia irreal.
- Como?
- Ele se foi. Diz sem derramar sequer uma lágrima.
Tânia senta, as pernas estavam sem forças.
Suzana olha para a avenida sem nenhuma reação. Nota as pessoas caminhando lentamente no calçadão, as senhoras sentadas numa mesa ao lado, conversando, jogando papo fora... tudo isso estava acontecendo sem a presença do grande amigo... o mundo agora não mais respirava sem ele... ou melhor, ele não mais respirava para o mundo.
Uma menina anda de mãos dadas com a mãe, logo ela pede colo, a mãe com ternura a olha e abre os braços para aconchegar a pequena. Suzana observa com os olhos já em lágrimas. Esta pequena está começando a vida, Jorge acabara de perdê-la.
- Su.
Tânia tenta fazer com que a agora amiga saia do choque inicial, mas seu chamado não surte muito efeito.
- Eu adoro essa música!! Grita para a amiga que está praticamente do seu lado.
- Não precisa gritar sua bicha! Responde no mesmo tom que o amigo usara.
- Eu te amo Su! Jorge para de dançar, olha para a mulher ao seu lado e sente um calor em seu peito. Sabia que isso era amor verdadeiro, amor de irmão, muito mais que um amor carnal.
Suzana o encara, olha nos seus olhos e sorri docemente.
- Também amo você meu amor, do fundo do meu coração. Sempre vou te amar.
As mãos se encontram, os olhos começam a demonstrar o que o coração sente e uma lagrima cai.
- Agora vamos parar com essa viadagem e dançar! A noite é uma criança baby!
Logo enxugam as lagrimas e dançam ao som da boate.
- Su? Suzana??
Suzana estava perdida em suas memórias, tudo que lhe restara agora eram as lembranças de seu amado ‘irmão’. Os olhos agora não estavam nas pessoas que a cercava, estavam agora fixados nos céu.
- Será que ele vai pro céu?
Tânia não entende o sussurrar de Su.
- O que você disse?
-Será que ele vai pro céu?
Tânia fica sem resposta, gays iam para o céu? Ela também iria para o céu quando morresse?
- Olha Su... ele era uma boa pessoa...
As duas se olham, os rostos estavam pálidos, sem vida assim como o amigo que acabara de deixá-las.
- Tenho que ir ao hospital. Diz enquanto pega o celular discando para Melissa.
- Temos que ir ao hospital, não vou te deixar sozinha. Coloca os óculos escuros e caminha em direção ao carro.
- Vamos no meu carro Su, você não está em condições de dirigir.
As duas fazem o trajeto mudas, o celular de Suzana toca dentro da bolsa. Tânia a encara, sabe muito bem que estava ligando e isso a deixa possessa de ciúmes.
- Não vai atender? Pergunta quebrando o silêncio.
- Claro que vou. Responde olhando para ela com o celular na mão.
-Alô...é amor, ele se foi...agora não temos mais nosso amigo...eu sei...eu sei vida... estou indo pra lá também...ok...te vejo lá...eu também te amo, tchau.
Tânia finge não ouvir a conversa, mas era inevitável não ouvir o ‘eu te amo’ dela.
- Você a ama? Continua dirigindo, agora sem olhar para Suzana.
- Amo. Amo mesmo. Olha para frente, não queria encarar Tânia.
- Desde quando a ama? Pergunta quase num tom de indignação.
- Não sei Tânia, acho que desde sempre. Temos uma ligação muito forte...sabe...é muito mais que paixão.
Tânia sente a indireta, sabia que Suzana não era a mulher para toda vida, pelo menos não pra ela. Talvez o que ela sentia não era o mesmo que Suzana sentia. Sempre procurou ser forte, durona... demonstrar que Suzana era só uma paixão era uma forma de prender a bela na sua teia. Adorava paixões e acreditava que quando elas existiam era impossível que duas pessoas se distanciassem, quase impossível.
- Eu acho que te amo. A voz sai engasgada.
- Como? Suzana pergunta sem acreditar nas palavras da arrogante Tânia.
- Não sei... estou muito confusa... desde a primeira vez que te vi senti algo forte, minha pernas tremiam, queria estar com você, te dominar emocionalmente e fisicamente... queria que você fosse presa... a palavra não é bem presa... eu queria que...que...
- Que eu estivesse ligada em você.
Tânia abaixa um pouco a cabeça confirmando o que Su dissera.
- Olha Tânia, eu também me apeguei em você. Você é muito bonita, muito mesmo. Queria sempre estar na cama com você, te fazer minha, te dominar... mas sempre ficamos nesse jogo de gato e rato. Eu queria amar alguém, ter um sentimento calmo dentro de mim...queria poder ver alguém e suspirar de tanto amor, carinho, ternura...
- E é isso que você sente pela outra não é?!
- É isso que eu sinto pela Melissa. Ela tem nome Tânia.
- Não gosto de pronunciar o nome dela...
- Eu sei que...
- Chegamos. Tânia interrompe Su.
Suzana sai do carro e dá de cara com Melissa na porta do hospital. Se pudesse sumiria dali, tudo que estava acontecendo era muito irreal.
- Porque você está com essa mulher? Melissa cruza os braços.
- Amor, eu fui me encontrar com ela para colocar um basta em qualquer desconforto ou situação mal acabada que havia entre eu e ela. Me desculpe se não te contei, mas achei que você não fosse entender... achei que... que você pudesse pensar que eu estaria me encontrando com ela para ficar com ela...sei la...
Subitamente Suzana começa a chorar. Melissa a olha com ternura, sabia que sua amada não tivera feito nada de errado e sabia também que ela estava com Tânia, seu coração e intuição não falhavam.
- Meu Deus...ele não está mais aqui!! Ele não tá mais aqui Melissa!! Pelo amor de Deus...porque isso tá acontecendo???
Suzana começa a desfalecer, o chão some diante de seus pés, as pernas não obedecem mais seu comando, tudo estava sem sentido, tudo estava sem rumo.
- Vem aqui meu amor, eu sei que está doendo...e vai doer por muito, muito tempo...não conseguimos impedir isso, mas tenho certeza que ele está em algum lugar muito melhor que essa terra.
Suzana senta, toma a água com açúcar que Tânia lhe dera, esta por sua vez sentara do outro lado da sala de espera, não queria interferir nesse momento, sabia que era Melissa que deveria cuidar de Suzana. A vontade era de agarrar Su e esconde-la dentro de si, percebera nesse momento de dor que realmente amava aquela mulher e a havia perdido para outra.
- Você acha mesmo que ele foi pro céu? Suzana pergunta num tom quase infantil.
- Meu amor, você acredita em Deus?
Su balança a cabeça como sinal de afirmação.
- Então acredite no amor que Ele tem por nós pecadores, seu amigo não era uma pessoa ruim, o coração dele era enorme e puro...acredite com toda sua força que ele estará sim em algum lugar melhor.
Suzana escuta como uma criança abalada, abraça Melissa forte. Se esconde entre os braços de sua amada, instintivamente Melissa lhe dá colo, coloca a cabeça de Suzana entre seu peito e faz carinho em seus cabelos. Estava sendo duro pra ela também, mas a dor era muito maior para sua amada.
- Eu vou tomar as providências.
Tânia interrompe as duas para dizer que seria ela que cuidaria de tudo e também para acabar pelo menos por alguns instantes com aquela cena que a magoava tanto.
- Obrigada Tânia.
Melissa responde olhando para os olhos da rival. Seria ela sua rival mesmo?
Tânia se afasta sem olhar para trás, sabia que as duas estariam abraçadas de novo, sua presença não afastaria duas almas que se amam tanto. Como doía saber dessa verdade.
- O enterro será amanha às nove.
Tânia volta quase duas horas depois, as duas continuavam na mesma posição, abraçadas, quietas... tão cúmplices...Tânia não tinha mais ninguém para abraçar, para amar...
Melissa deixa Suzana no hospital e vai no carro de Tânia buscar o carro de sua amada. Vão e voltam mudas, ao chegar no hospital Tânia segura na mão de Melissa e com lagrimas nos olhos abre seu coração para a ex rival.
- Ame-a, ame muito...eu a amei e não soube dar valor. Ela te ama mesmo Melissa e sinto ódio de mim por isso.
Melissa a olha sem rancor, sentia tristeza de vê-la assim, não queria construir sua felicidade em cima da infelicidade de alguém.
- Porque sente ódio de você?
- Por que brinquei com ela. Não a tratei como merecia...na verdade, tratei como se fosse uma paixão de verão, mas meu verão durou muito mais que imaginava e me dei conta que a amava de verdade quando ela disse que te amava.
Melissa a escuta cuidadosamente, não queria perder nenhuma palavra do que Tânia dizia.
- Ela te ama mesmo Melissa, hoje ela se encontrou comigo para acabar com qualquer vestígio de comprometimento. Ela sequer me encostou hoje, estava decidida que você é a mulher da vida dela...
Tânia chora sem querer chorar, Melissa num ato quase instintivo abraça a mulher que está a seu lado.
- Prometo que vou cuidar bem dela, prometo amar Suzana e nunca a magoar.
As duas se olham, o ódio não havia mais entre elas. É incrível como a dor aproxima as pessoas.
Melissa dirige o carro de Suzana, as duas vão em silêncio fúnebre. Suzana olhava cada pessoa que estava nas ruas e sentia inveja delas. Não inveja por ela e sim inveja por seu amigo, ele não estava mais lá. Sua voz nunca mais seria ouvida...
- Eu nunca mais vou ver ele.
- Não meu amor.
Suzana chora copiosamente, era desesperador saber que nunca mais o veria.
Elas chegam no apartamento, Melissa nota que o carro de Tânia já estava no estacionamento, queria se mudar daquele prédio, não se sentia bem morando no mesmo lugar que a ‘outra’ .
- Tome um banho meu amor, melhor, eu tomo um banho com você. Te dou um banho, que acha?
Melissa tenta animar sua amada sem êxito. O banho segue em silêncio.
- Quer comer alguma coisa meu amor?
Suzana balança a cabeça, nada entraria no estômago, não agora.
As duas deitam, Melissa pega uma almofada e se acomoda um pouco mais na vertical, sabia que Suzana pediria colo, e assim ela o fez.
Manhã do enterro de Jorge, chovia muito. Por que sempre chove em enterros?
A cerimônia é bem rápida, poucas pessoas estavam lá. Suzana estava ao lado de Melissa que por sua vez estava ao lado de Tânia.
O caixão desce, nenhuma lágrima cai dos olhos de Su, parecia que a morte a anestesiara.
Suzana lembra como o amigo ficava lindo quando se travestia de Jeogete, recorda as diversas vezes que o encontrara assim, de como ele era feliz com a vida que ele tinha escolhido...
“Uiiii...olha lá o Jorge! Jeorgete querida, será que dá pra adiantar essa fila?”
“Su sua cachorra! Acabou de chegar e já quer entrar é?! Aqui o negócio é diferente meu bem, aqui a gente entra devagar!”
Risos.
“Ai querida, tem tanto tempo que não entro devagar.. (risos)..será que você não pode “dar” um jeitinho?”
“Olha, diferente de você eu estou “dando” muito, então pra quebrar o seu galho eu deixo você entrar ta?!”
“ A Carol também entra comigo tá?”
“É danadinha, já arrumou uma pra essa noite né?!”
“Cê sabe como eu sou rápida meu bem!” (risos)
“Uii..adorooo”
“Brigada Jorge”
“Jorge não meu anjo, Jeorgete!”
Você é meu anjo Jeorgete...sempre vou te amar.
Rosas vermelhas são jogadas enquanto a terra é derramada sobre o caixão, uma mulher observa tudo de longe, não estava vestindo preto, estava com uma calça roxa, blusa arco-íris e laço vermelho no cabelo.
- Carol? Tânia a reconhece e apressa os passos para reencontrar sua amiga-ficante.
- Eu fiquei sabendo gente.
Olha para Suzana e vê que a mesma continua linda, observa também a mulher mais velha que está ao seu lado. Melissa também a encara, não sabe quem era a mulher com roupa tão colorida.
- Ele se foi amiga. Suzana abraça sua velha conhecida.
- Eu sei. Carol retribui o abraço.
Durante alguns minutos o silêncio toma conta. Suzana percebe que não tinha apresentado Melissa.
- Carol, essa é a Melissa, minha esposa.
- Amor, essa é a Carol, uma velha amiga.
As duas se cumprimentam cordialmente. O silêncio novamente aparece e só é quebrado por Carol.
- Gente, dizem que quando uma bicha morre ela vira purpurina não é?!
Todas a olham sem entender.
- Vocês vão ficar com essa cara de morte até quando? Jeorgete odiaria ver vocês borrando a maquiagem em pleno sábado. Vamos afogar a dor como ele gostaria que fizéssemos.
Elas se olham e sorriem, Carol tinha razão, a dor era imensa, mas Jorge não gostaria de ver ninguém assim. Ele era alegre demais para essa tristeza toda.
Elas vão para a casa de Tânia, sentam-se no tapete da sala, tiram os sapatos e começam a relembrar das aventuras que algumas delas tinham vivido com o amado amigo. Tudo regado a muito Martini.
Vararam a noite assim, as risadas podiam ser ouvidas em todo o andar. Uma mistura de saudade, tristeza, alegria e apertos no coração eram sentidos por todas. Ele não estava mais lá fisicamente...
Amanhece, todas estavam dormindo no tapete. Melissa é a primeira a despertar. Caminha até a sacada que dá visão para o mar.
- Eu sei que você está aqui, eu senti você. Não abandone sua amiga Su. Está sendo muito difícil pra ela. Ela te ama muito Jorge, muito...
Uma brisa suave percorre o corpo de Melissa, era o carinho do amigo. Ela sorri e olha para Suzana que se encolhe instintivamente com a brisa que chegara até ela também.
Os meses se passam, a dor já não era tão intensa...
Um ano se passa, agora ele era lembrado com carinho...
Três anos voam, Suzana caminha lentamente observando a nova casa. Comprara com muito custo com sua amada. Melissa a abraça por trás, sussurra no seu ouvido.
- Eu te amo , tu me amas, não importa toda gente...
Suzana abre um largo sorriso, esse era um pedaço de musica que costumavam cantar quando estavam muito felizes.
- Vida nova meu amor, seremos muito mais felizes do que já somos. Seremos felizes para sempre.
A grande Belo Horizonte era o ninho de amor para as duas. Suzana conseguira o cargo que batalhara pelos últimos cinco meses e Melissa conseguira abrir seu próprio negócio.
Brigavam muito, discutiam por coisas pequenas...mas o amor era tão grande que em questão de minutos tudo voltava ao normal.
Melissa volta a mais doce lembrança que tem com Suzana...
...
‘ Pára com isso amor’. A linda morena reclamava tampando os ouvidos.
‘ Ah, pare com isso você, não tô te matando’ Melissa dizia com um sorriso nos lábios.
‘ Você sabe que não gosto desse tipo de brincadeira’. Suzana já estava começando a emburrar quando Melissa aproximou-se dela e a abraçou suavemente.
‘ Vem cá meu amor, eu cuido de você’. Tomou-a pelos braços e a fez flutuar lentamente. A água contornava o corpo da jovem, enquanto a que segurava pensava porque aquela menina estava com ela, afinal a diferença de idade era notória para todos.
‘ Por que você me ama?’
Suzana que estava longe com seus pensamentos foi despertada pela voz da amada, que estava hesitante e temerosa pela resposta.
‘ Te amo porque você é a Melissa, a única Melissa que conheci na vida e única que me faz sentir frio na barriga’.
Melissa achou graça de como a jovem expressava seus sentimentos, mas sabia que era verdadeira sua explicação.
‘ Vamos para o Céu juntas?’ Perguntou sem tirar a cabeça dos ombros da amada.
‘ Vamos viver muitas vidas juntas, isso sim’ Melissa retrucou sem olhar para a jovem.
‘ Quero viver com você pra sempre’
‘ Vamos ficar juntas para sempre meu amor, tenha certeza disso... você faz parte de mim, não posso viver sem uma parte da minh’alma’.
...
- Vamos ficar juntas para sempre meu amor, tenha certeza disso... você faz parte de mim, não posso viver sem uma parte da minh’alma’.
Melissa repete a mesma frase de seus pensamentos.
E suas palavras se cumpriram, para sempre viveram juntas, por muitas e muitas vidas.
...
Tânia entra no carro, estava muito atrasada. Acelera e em questão de minutos chega no novo trabalho. Havia se mudado para São Paulo, queria tirar Suzana de seus pensamentos e conseguira.
Estaciona rapidamente, pelo retrovisor percebe que o carro havia ficado mal posicionado e dá ré. Sem perceber o carro esbarra numa jovem e esta cai sobre o asfalto.
Imediatamente Tânia sai do carro para prestar socorro para a bela loira.
- Você está bem? Pergunta preocupada.
- Não, mas sinto que vou ficar...
FIM
terça-feira, 16 de junho de 2009
Capítulo 35 – Final – Parte 2
- Porque está muda?
- ...
- Suzana?
- ...
- Suzana estou falando com você.
- Oi...desculpa, o que você disse?
- Nada de importante. Onde você tava com a cabeça?
- Em lugar nenhum.
Estava sim, Suzana estava vagando por todas as lembranças que Melissa depositara em sua mente. Lembrara da tarde de domingo que saíram para passear, ela dirigia vagarosamente e sentira a mão de sua amada repousar em sua coxa.
- Sempre vou confiar em você.
O coração parecia parar por segundos. Aquele friozinho estranho desceu como um gole gelado de Coca-cola da garganta até o estomago. Seria essa a manifestação do amor?
- Sempre amor... te amo como nunca amei em minha vida.
Um olho na estrada e o outro no belo rosto que estava ao seu lado. Tira os óculos escuros para poder vê-la sem nenhuma cor amarronzada. Queria contemplar bem a textura da pele de sua alma gêmea.
- O que sinto por você não tem explicação Melissa. Eu sabia que estávamos destinadas. Sempre soube.
Melissa sorri. Repousa a cabeça e olha para o entardecer alaranjado. Vê uma nuvem na forma de um homem soprando uma folha e comenta com Suzana.
- Isso é uma mulher pegando na ‘perseguida’ da outra...
As duas caem na gargalhada. Suzana sempre via maldade onde não tinha. A maturidade de Melissa fez com que ela balançasse a cabeça, concordando com a interpretação da amada.
- Veio aqui para...?
A doce lembrança foi interrompida pelo barulho das chaves de Tânia, ela estava impaciente e a doçura nos olhos de Suzana não lhe soavam boa coisa.
- Vim para dar um fim na nossa situação.
- Pra que terminar algo que está tão bom?
Coloca as chaves dentro da bolsa sem tirar os olhos da amante.
- Vamos continuar do jeito que está, afinal, nós trabalhamos no mesmo lugar... Podemos nos ‘pegar’ no meu escritório e prometo que não vou te demitir.
Suzana ri, se faz de boba e finge não entender o que ela estava dizendo. Olha para o mar e sente a brisa fria invadir seu corpo. Seria a brisa ou o peso na consciência?
- Não quero mais isso pra mim. Antes eu era...
- Era o que? Uma menina boba do interior? Uma solitária? Uma carente? Não sabia o que estava fazendo?
Os olhares antes amigáveis agora se tornam amargos e raivosos.
- Antes eu era solteira, não tinha ninguém. Me envolvi com você por carência... Você não prestava pra mim e...
- O que? Não prestava? Agora ta fazendo pouco caso de mim?
Tânia altera a voz, o dono do quiosque olha pra ela. Suzana fica constrangida com a situação, mas Tânia estava cega de ódio.
- Como tem a ousadia de falar isso? Enquanto estava comendo estava muito bom. Agora que essa velha voltou você cospe no prato que comeu!
- Cale a boca senão quiser se arrepender.
Suzana segura nos braços de Tânia, não controla a raiva e quase parte pra cima dela. Tinha que se acalmar, não queria que as coisas terminassem assim. Respira fundo, esfrega a testa e novamente fixa-se no mar.
- Tânia, estamos perdendo o controle... somos adultas e não podemos terminar desse jeito.
- Terminar o que Suzana? Você mesmo disse que me usou e agora não quer mais.
- Não te usei, nunca fiz isso.
Suzana olha para os olhos dela, estava quase derramando as primeiras lágrimas de muitas que Tânia derramaria por esse término, lágrimas que Suzana não saberia que seriam derramadas.
- Tudo foi tão intenso Tânia, tudo foi tão... rápido.
As duas não se encaram, não tem coragem. Olham para o mar e permanecem num silêncio estrondoso.
- Foi rápido, mas não quer dizer que não houve sentimento.
Tânia sussurra a frase. Suzana quase não ouve, mas estava atenta a respiração, gestos e murmúrios da agora, ex amante.
- Claro que houve sentimento. Me apaixonei por você. Me envolvi nesse jogo de gato e rato.
Suzana puxa o ar que lhe falta, não queria magoá-la. Era tão difícil dizer adeus sem deixar marcas em alguém. Lembra de quando disse adeus para Melissa e uma lágrima cai.
- Nunca mais vou te ver.
- Vai sim minha pequena.
Melissa abraça a jovem, tentando consolar seu coração assustado... tentando consolar o próprio coração destroçado.
- Vai me ver... Vamos nos encontrar muitas vezes, de diversas formas e situações.
A jovem Suzana abraça Melissa forte, não quer sair dos braços da mulher amada. Por que o destino está sendo tão cruel com elas? Por que tinham que se separar?
- Por que está chorando?
Novamente seus pensamentos são cortados por Tânia. As lágrimas teimavam cair para ambas.
- Eu estava...
O telefone toca, era do hospital. Suzana fica receosa. Sentia que algo de ruim estava acontecendo com Jorge.
- ...
- Suzana?
- ...
- Suzana estou falando com você.
- Oi...desculpa, o que você disse?
- Nada de importante. Onde você tava com a cabeça?
- Em lugar nenhum.
Estava sim, Suzana estava vagando por todas as lembranças que Melissa depositara em sua mente. Lembrara da tarde de domingo que saíram para passear, ela dirigia vagarosamente e sentira a mão de sua amada repousar em sua coxa.
- Sempre vou confiar em você.
O coração parecia parar por segundos. Aquele friozinho estranho desceu como um gole gelado de Coca-cola da garganta até o estomago. Seria essa a manifestação do amor?
- Sempre amor... te amo como nunca amei em minha vida.
Um olho na estrada e o outro no belo rosto que estava ao seu lado. Tira os óculos escuros para poder vê-la sem nenhuma cor amarronzada. Queria contemplar bem a textura da pele de sua alma gêmea.
- O que sinto por você não tem explicação Melissa. Eu sabia que estávamos destinadas. Sempre soube.
Melissa sorri. Repousa a cabeça e olha para o entardecer alaranjado. Vê uma nuvem na forma de um homem soprando uma folha e comenta com Suzana.
- Isso é uma mulher pegando na ‘perseguida’ da outra...
As duas caem na gargalhada. Suzana sempre via maldade onde não tinha. A maturidade de Melissa fez com que ela balançasse a cabeça, concordando com a interpretação da amada.
- Veio aqui para...?
A doce lembrança foi interrompida pelo barulho das chaves de Tânia, ela estava impaciente e a doçura nos olhos de Suzana não lhe soavam boa coisa.
- Vim para dar um fim na nossa situação.
- Pra que terminar algo que está tão bom?
Coloca as chaves dentro da bolsa sem tirar os olhos da amante.
- Vamos continuar do jeito que está, afinal, nós trabalhamos no mesmo lugar... Podemos nos ‘pegar’ no meu escritório e prometo que não vou te demitir.
Suzana ri, se faz de boba e finge não entender o que ela estava dizendo. Olha para o mar e sente a brisa fria invadir seu corpo. Seria a brisa ou o peso na consciência?
- Não quero mais isso pra mim. Antes eu era...
- Era o que? Uma menina boba do interior? Uma solitária? Uma carente? Não sabia o que estava fazendo?
Os olhares antes amigáveis agora se tornam amargos e raivosos.
- Antes eu era solteira, não tinha ninguém. Me envolvi com você por carência... Você não prestava pra mim e...
- O que? Não prestava? Agora ta fazendo pouco caso de mim?
Tânia altera a voz, o dono do quiosque olha pra ela. Suzana fica constrangida com a situação, mas Tânia estava cega de ódio.
- Como tem a ousadia de falar isso? Enquanto estava comendo estava muito bom. Agora que essa velha voltou você cospe no prato que comeu!
- Cale a boca senão quiser se arrepender.
Suzana segura nos braços de Tânia, não controla a raiva e quase parte pra cima dela. Tinha que se acalmar, não queria que as coisas terminassem assim. Respira fundo, esfrega a testa e novamente fixa-se no mar.
- Tânia, estamos perdendo o controle... somos adultas e não podemos terminar desse jeito.
- Terminar o que Suzana? Você mesmo disse que me usou e agora não quer mais.
- Não te usei, nunca fiz isso.
Suzana olha para os olhos dela, estava quase derramando as primeiras lágrimas de muitas que Tânia derramaria por esse término, lágrimas que Suzana não saberia que seriam derramadas.
- Tudo foi tão intenso Tânia, tudo foi tão... rápido.
As duas não se encaram, não tem coragem. Olham para o mar e permanecem num silêncio estrondoso.
- Foi rápido, mas não quer dizer que não houve sentimento.
Tânia sussurra a frase. Suzana quase não ouve, mas estava atenta a respiração, gestos e murmúrios da agora, ex amante.
- Claro que houve sentimento. Me apaixonei por você. Me envolvi nesse jogo de gato e rato.
Suzana puxa o ar que lhe falta, não queria magoá-la. Era tão difícil dizer adeus sem deixar marcas em alguém. Lembra de quando disse adeus para Melissa e uma lágrima cai.
- Nunca mais vou te ver.
- Vai sim minha pequena.
Melissa abraça a jovem, tentando consolar seu coração assustado... tentando consolar o próprio coração destroçado.
- Vai me ver... Vamos nos encontrar muitas vezes, de diversas formas e situações.
A jovem Suzana abraça Melissa forte, não quer sair dos braços da mulher amada. Por que o destino está sendo tão cruel com elas? Por que tinham que se separar?
- Por que está chorando?
Novamente seus pensamentos são cortados por Tânia. As lágrimas teimavam cair para ambas.
- Eu estava...
O telefone toca, era do hospital. Suzana fica receosa. Sentia que algo de ruim estava acontecendo com Jorge.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Aviso
Pessoal, eu não esqueci do blog, acontece que a vida real está tumultuada. Estou escrevendo aos poucos para o blog 'Mãe' e escrevendo um grande ( literalmente ) final para o conto.
Espero que semana que vem eu poste.
Bjs
Espero que semana que vem eu poste.
Bjs
terça-feira, 17 de março de 2009
Capítulo 35 - Final – Parte 1
‘ Ganhei você no meu aniversário de 7 anos, e já estou com 9! Estou tão crescida e as tias da escola são muito mais legais que a do ano passado...’
A letra era redonda e tremula, caneta rosa ainda com o cheiro de morango rondava as paginas rosas da primeira parte do diário da pequena Suzana.
Melissa sentasse no chão, apoiasse na parede próxima à cama, cruza as pernas e segura com cuidado tamanha preciosidade, ali estava toda vida da mulher de sua vida. Não sabia que Suzana tinha esse cuidado de registrar tudo num diário. Continua a leitura.
‘ Ganhei um violão, ele é lindo!! Agora estou buscando ao Senhor para ser instrumentista... espero que seja logo.’
Agora as páginas eram douradas. Será que ela era feliz na religião dela? Será que essa foi a época mais feliz dela? Será que sente falta da igreja? Fecha os olhos e volta para o parque que a havia levado no primeiro encontro...
‘ Nos conhecemos de outras vidas’ disse para a jovem que estava deitada no seu colo. A grama era verde e cheirava a saudade. Suzana olha para cima e vê uma linda mulher olhando-a docemente. Será que essa coisa de outras vidas era verdade?
Abre os olhos e volta ao diário. Páginas azul claro.
‘Perdi uma grande amiga, não sei mais em quem confiar... ’
‘ Você tem que confiar em mim Suzana!! Eu não vou fazer nada pra te magoar!! Por que você é assim?’ Os gritos de Melissa podiam ser ouvidos por toda vizinhança. As lágrimas caíam e Suzana não queria ouvir nem entender o que ela estava berrando... ’ Pare de ser tão infantil... já disse que não vou trair você!’ Suzana bate a porta e a partir dali não se veriam por 5 anos.
‘ Como dói lembrar isso’ pensou Melissa.
Fechou o diário. Não queria por enquanto invadir a vida dela, as horas eram longas e o dia parecia não ter mais fim. ‘ O que será que ela está fazendo agora?’
...
Fim de tarde, Tânia pede uma água de coco e espera sua ex ou atual ficante aparecer.
‘Será que ela vau aparecer?’ A pergunta rondava seus pensamentos.
...
Suzana estaciona o carro um pouco longe do quiosque. Caminha lentamente procurando uma sombra, o sol estava infernal. Coloca os óculos escuros, não quer ser encarada nos olhos.
- Não disse que viria?!
Tânia a observa caminhar em sua direção, lembranças da primeira vez que a vira vieram à tona... E se ela for a mulher de sua vida e estiver deixando escapar?
- Você não seria capaz de me deixar plantada.
Suzana sorri, adora essa segurança que ela transmite. O poder dela a encantava, era sedutor e perigoso.
- Cá estou, já pediu algo pra comer?
- Ainda não... Podemos comer o que quiser.
Mordeu o canudo levemente, Suzana olha e percebe a provocação. De repente lembrasse de Melissa. O coração dispara.
- Vim aqui para resolvermos nossa situação.
Tânia tira os óculos escuros e sorri maliciosamente, sabia que ela não teria coragem de terminar o ‘rolo’ delas.
- É mesmo? E o que pensa fazer? Poligamia?
Suzana acha graça, mas não gosta da brincadeira. Era fato que Tânia não a levava a sério, prova disso era seu comentário infeliz.
- Vim aqui para...
‘ Eu te amo vida... Assim, simplesmente... ’
Olha para o celular e seu coração enche de ternura, a mulher de sua vida estava esperando pacientemente que ela tomasse a decisão certa. A mulher dos seus pesadelos, antes desejos, estava esperando seguramente que ela cedesse ao jogo da sedução novamente.
A decisão já estava tomada, verbalizá-la era a cartada final.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Capítulo 34
O celular vibra, era uma mensagem dela, “ Amor, estou indo me encontrar com uns amigos de faculdade no Bar do Atila, qualquer coisa me liga... Eu te amo”.
‘Ela vai atrás da Tânia’. Repousou a mão direita sobre o peito e sentiu o mesmo apertar-se e angustiar-se.
Caminhou lentamente para o quarto, a cama ainda estava desarrumada, resultado da noite tórrida e as roupas de sua amada estavam amarrotadas na cadeira que ficava ao lado da porta.
Sentou-se na beirada da cama e pensou se estava tomando o rumo certo na sua vida, e se Suzana realmente amasse Tânia?
Fechou os olhos e puxou pela memória as lembranças mais doces que havia...
‘ Pára com isso amor’. A linda morena reclamava tampando os ouvidos.
‘ Ah, pare com isso você, não tô te matando’ Melissa dizia com um sorriso nos lábios.
‘ Você sabe que não gosto desse tipo de brincadeira’. Suzana já estava começando a emburrar quando Melissa aproximou-se dela e a abraçou suavemente.
‘ Vem cá meu amor, eu cuido de você’. Tomou-a pelos braços e a fez flutuar lentamente. A água contornava o corpo da jovem, enquanto a que segurava pensava porque aquela menina estava com ela, afinal a diferença de idade era notória para todos.
‘ Por que você me ama?’
Suzana que estava longe com seus pensamentos foi despertada pela voz da amada, que estava hesitante e temerosa pela resposta.
‘ Te amo porque você é a Melissa, a única Melissa que conheci na vida e única que me faz sentir frio na barriga’.
Melissa achou graça de como a jovem expressava seus sentimentos, mas sabia que era verdadeira sua explicação.
Suzana abraçou-a, aproximando o rosto da nuca da amada, olhou para a linda paisagem e novamente viajou em seus pensamentos.
Adorava olhar para o entardecer, desde pequena era assim, olhava para as nuvens laranjas e então imaginava as portas do Céu se abrindo e Deus a convidando para entrar.
Crescera na religião da mãe e isso nunca a incomodara, freqüentava com assíduo todos os cultos e chegou a ser instrumentista, tocava violão, saxofone, clarinete e um pouco de teclado, orgulhava-se quando enumerava os instrumentos que aprendera sozinha... ah, não esquecendo que também gostava muito de violino, o som era muito triste e bonito, como gostava de dizer.
‘ Vamos para o Céu juntas?’ Perguntou sem tirar a cabeça dos ombros da amada.
‘ Vamos viver muitas vidas juntas, isso sim’ Melissa retrucou sem olhar para a jovem.
A outra tivera uma vida totalmente diferente, nascida numa família católica, era a única filha a se tornar espírita. Lá ela se sentia bem e gostava de falar de suas teorias para a namorada, que por sua vez sentia medo e curiosidade ao ouvir as estórias dela.
‘ Quero viver com você pra sempre’
‘ Vamos ficar juntas para sempre meu amor, tenha certeza disso... você faz parte de mim, não posso viver sem uma parte da minh’alma’.
Como Melissa falava bonito. Suzana queria ter esse dom de falar sobre as coisas, encantando as pessoas.
‘ Não te incomoda eu ser mais velha Su’?
Os ombros já não eram abrigo para seus pensamentos, agora eram os olhos de Melissa que lhe pediam morada.
‘ Não gosto só disso aqui, disse tocando o rosto dela, - amo quem está aqui. Posou a mão o peito de Melissa, como se quisesse tocar o coração, a alma dela.
Melissa sabia que muitas coisas iriam acontecer até as duas finalmente ficarem juntas, olhou para a bela jovem que estava nos seus braços, deu um sorriso acolhedor e beijou-lhe a testa.
‘ Vai ficar tudo bem’. Disse para ela e para si mesma.
Retornou para o quarto onde estava, as lágrimas eram inevitáveis e o sofrimento insistia em assolar seu coração.
‘ Vai dar tudo certo’. Disse para si mesma.
Olhou para o guarda-roupa entreaberto, lembrara que Suzana mantinha uma pequena caixa com algumas cartas, bilhetes e um diário pessoal. Caminhou hesitante até a gaveta que estava a caixinha, abaixou e pensou duas vezes antes de pega-la. Não resistira e começara a folhear.
‘Ela vai atrás da Tânia’. Repousou a mão direita sobre o peito e sentiu o mesmo apertar-se e angustiar-se.
Caminhou lentamente para o quarto, a cama ainda estava desarrumada, resultado da noite tórrida e as roupas de sua amada estavam amarrotadas na cadeira que ficava ao lado da porta.
Sentou-se na beirada da cama e pensou se estava tomando o rumo certo na sua vida, e se Suzana realmente amasse Tânia?
Fechou os olhos e puxou pela memória as lembranças mais doces que havia...
‘ Pára com isso amor’. A linda morena reclamava tampando os ouvidos.
‘ Ah, pare com isso você, não tô te matando’ Melissa dizia com um sorriso nos lábios.
‘ Você sabe que não gosto desse tipo de brincadeira’. Suzana já estava começando a emburrar quando Melissa aproximou-se dela e a abraçou suavemente.
‘ Vem cá meu amor, eu cuido de você’. Tomou-a pelos braços e a fez flutuar lentamente. A água contornava o corpo da jovem, enquanto a que segurava pensava porque aquela menina estava com ela, afinal a diferença de idade era notória para todos.
‘ Por que você me ama?’
Suzana que estava longe com seus pensamentos foi despertada pela voz da amada, que estava hesitante e temerosa pela resposta.
‘ Te amo porque você é a Melissa, a única Melissa que conheci na vida e única que me faz sentir frio na barriga’.
Melissa achou graça de como a jovem expressava seus sentimentos, mas sabia que era verdadeira sua explicação.
Suzana abraçou-a, aproximando o rosto da nuca da amada, olhou para a linda paisagem e novamente viajou em seus pensamentos.
Adorava olhar para o entardecer, desde pequena era assim, olhava para as nuvens laranjas e então imaginava as portas do Céu se abrindo e Deus a convidando para entrar.
Crescera na religião da mãe e isso nunca a incomodara, freqüentava com assíduo todos os cultos e chegou a ser instrumentista, tocava violão, saxofone, clarinete e um pouco de teclado, orgulhava-se quando enumerava os instrumentos que aprendera sozinha... ah, não esquecendo que também gostava muito de violino, o som era muito triste e bonito, como gostava de dizer.
‘ Vamos para o Céu juntas?’ Perguntou sem tirar a cabeça dos ombros da amada.
‘ Vamos viver muitas vidas juntas, isso sim’ Melissa retrucou sem olhar para a jovem.
A outra tivera uma vida totalmente diferente, nascida numa família católica, era a única filha a se tornar espírita. Lá ela se sentia bem e gostava de falar de suas teorias para a namorada, que por sua vez sentia medo e curiosidade ao ouvir as estórias dela.
‘ Quero viver com você pra sempre’
‘ Vamos ficar juntas para sempre meu amor, tenha certeza disso... você faz parte de mim, não posso viver sem uma parte da minh’alma’.
Como Melissa falava bonito. Suzana queria ter esse dom de falar sobre as coisas, encantando as pessoas.
‘ Não te incomoda eu ser mais velha Su’?
Os ombros já não eram abrigo para seus pensamentos, agora eram os olhos de Melissa que lhe pediam morada.
‘ Não gosto só disso aqui, disse tocando o rosto dela, - amo quem está aqui. Posou a mão o peito de Melissa, como se quisesse tocar o coração, a alma dela.
Melissa sabia que muitas coisas iriam acontecer até as duas finalmente ficarem juntas, olhou para a bela jovem que estava nos seus braços, deu um sorriso acolhedor e beijou-lhe a testa.
‘ Vai ficar tudo bem’. Disse para ela e para si mesma.
Retornou para o quarto onde estava, as lágrimas eram inevitáveis e o sofrimento insistia em assolar seu coração.
‘ Vai dar tudo certo’. Disse para si mesma.
Olhou para o guarda-roupa entreaberto, lembrara que Suzana mantinha uma pequena caixa com algumas cartas, bilhetes e um diário pessoal. Caminhou hesitante até a gaveta que estava a caixinha, abaixou e pensou duas vezes antes de pega-la. Não resistira e começara a folhear.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Aviso
Meninas, estou de férias e só volto em fevereiro..
Peço desculpas pelo atraso do conto e quero avisa tbem que não morri...
Peço desculpas pelo atraso do conto e quero avisa tbem que não morri...
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Capítulo 33
Trabalhei na santa paz, o clima da empresa estava suave mesmo a Toda Poderosa estando possessa comigo. Vez em quando olhava para o visor do celular e lá estava uma foto dela, linda e serena como sempre, seu sorriso me iluminava e me dava forças para continuar e olhar cada dia de uma forma mais colorida.
‘ Caramba, tá “xonadinha” hein?!’
- Por que tá falando isso?
‘ Viu que coisa linda no começo do capítulo de hoje?! Você descrevendo seu novo amor como Manoel Carlos descreve as tardes ensolaradas da novela das oito... muito comovente.’
- Você tá doida pra ver o circo pegar fogo né? Você não presta.
‘ Epa, calma lá... Eu sou você! Então você não presta... ’
- Por que você resolveu aparecer? Você andava tão quietinha...
‘ Apareci porque sei que você precisa de mim. ’
- Hum... continue.
‘ Você está dividida entre a paixão e o amor, a carne e o espírito. ’
- Hum...
‘ O que você vai querer pra sua vida? Tânia, que te enlouquece e te deixa desnorteada ou Melissa, que é o seu amor verdadeiro, que sempre pode contar?
- Melissa, claro!
‘ Você nem lembrava que Melissa existia há um ano atrás! Como pode ter tanta certeza que ela é o amor pra toda vida?’
- Por que quando a vi meu coração disparou, minha respiração se tornou doce, minh’alma se aquietou, minha mente se deu por vencida e a razão foi embora...o que restou foi só o amor.
‘ Pense bem, pois uma delas terá a vida completamente mudada devido sua escolha. ’
- Como você sabe de tanta coisa que eu não sei?
‘ Você sabe, mas faz questão de não dar ouvidos ao coração. Por isso está tendo essa conversa consigo mesma. ‘
Abri os olhos e percebi que realmente tinha que tomar uma decisão, não podia continuar com essa vida dupla. Se realmente queria Melissa, tinha que ser honesta com Tânia.
Fechei a sala e caminhei lentamente pelo corredor que dava acesso a saída da empresa. Um vapor quente veio a minha direção quando a porta foi aberta, mas a beleza do entardecer compensava qualquer calor que poderia estar sentindo.
Peguei o celular novamente, abri e olhei para foto dela. Estava sorrindo e com o olhar mais lindo que já tinha visto em toda minha vida.
- Me sinto tão bem com ela que não posso deixar que ela saia da minha vida. Preciso dar um jeito nisso e vai ser agora.
- ‘Alô?’
- Tenho falar com você, onde podemos nos encontrar.
- ‘ O que você quer agora?’
- Precisamos conversar, não podemos mais continuar desse jeito.
- ‘ Ok’, nos vemos no quiosque nº 7.
- Tá, estou indo pra lá.
Desliguei, agora teria que inventar uma desculpa pra Melissa, não podia falar com ela que estava indo me encontrar com Tânia, ela ficaria uma fera comigo.
“ Amor, estou indo me encontrar com uns amigos de faculdade no Bar do Atila, qualquer coisa me liga... Eu te amo”
Espero que ela receba a mensagem e não vá atrás de mim.
‘ Caramba, tá “xonadinha” hein?!’
- Por que tá falando isso?
‘ Viu que coisa linda no começo do capítulo de hoje?! Você descrevendo seu novo amor como Manoel Carlos descreve as tardes ensolaradas da novela das oito... muito comovente.’
- Você tá doida pra ver o circo pegar fogo né? Você não presta.
‘ Epa, calma lá... Eu sou você! Então você não presta... ’
- Por que você resolveu aparecer? Você andava tão quietinha...
‘ Apareci porque sei que você precisa de mim. ’
- Hum... continue.
‘ Você está dividida entre a paixão e o amor, a carne e o espírito. ’
- Hum...
‘ O que você vai querer pra sua vida? Tânia, que te enlouquece e te deixa desnorteada ou Melissa, que é o seu amor verdadeiro, que sempre pode contar?
- Melissa, claro!
‘ Você nem lembrava que Melissa existia há um ano atrás! Como pode ter tanta certeza que ela é o amor pra toda vida?’
- Por que quando a vi meu coração disparou, minha respiração se tornou doce, minh’alma se aquietou, minha mente se deu por vencida e a razão foi embora...o que restou foi só o amor.
‘ Pense bem, pois uma delas terá a vida completamente mudada devido sua escolha. ’
- Como você sabe de tanta coisa que eu não sei?
‘ Você sabe, mas faz questão de não dar ouvidos ao coração. Por isso está tendo essa conversa consigo mesma. ‘
Abri os olhos e percebi que realmente tinha que tomar uma decisão, não podia continuar com essa vida dupla. Se realmente queria Melissa, tinha que ser honesta com Tânia.
Fechei a sala e caminhei lentamente pelo corredor que dava acesso a saída da empresa. Um vapor quente veio a minha direção quando a porta foi aberta, mas a beleza do entardecer compensava qualquer calor que poderia estar sentindo.
Peguei o celular novamente, abri e olhei para foto dela. Estava sorrindo e com o olhar mais lindo que já tinha visto em toda minha vida.
- Me sinto tão bem com ela que não posso deixar que ela saia da minha vida. Preciso dar um jeito nisso e vai ser agora.
- ‘Alô?’
- Tenho falar com você, onde podemos nos encontrar.
- ‘ O que você quer agora?’
- Precisamos conversar, não podemos mais continuar desse jeito.
- ‘ Ok’, nos vemos no quiosque nº 7.
- Tá, estou indo pra lá.
Desliguei, agora teria que inventar uma desculpa pra Melissa, não podia falar com ela que estava indo me encontrar com Tânia, ela ficaria uma fera comigo.
“ Amor, estou indo me encontrar com uns amigos de faculdade no Bar do Atila, qualquer coisa me liga... Eu te amo”
Espero que ela receba a mensagem e não vá atrás de mim.
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